
O programa Aqui é Brasil, do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), mostra que 2025 foi um ano recorde para deportações de brasileiros dos Estados Unidos. Desde agosto, quando o programa foi implementado, 3.113 pessoas retornaram ao país, com Minas Gerais liderando o ranking, seguida por Rondônia e São Paulo. O Pará ocupa a sexta posição, recebendo 97 repatriados.
“Minas Gerais concentrou 1.568 deportados, ou mais da metade de todos os retornos”, segundo dados oficiais do MDHC. O Sudeste é responsável por quase 80% dos destinos finais, enquanto Norte e Sul acolhem aproximadamente 4% cada, e o Nordeste, apenas 3%.
O aumento expressivo de deportações coincide com o primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump na presidência dos EUA. De acordo com a Polícia Federal, 37 voos fretados pelo ICE transportaram 3.526 brasileiros ao país, o dobro do registrado em 2024. A maioria dos deportados é composta por homens pardos, entre 18 e 29 anos, com ensino médio completo.
Quanto à estadia, 63,17% dos repatriados ficam com familiares, 29,74% retornam para suas próprias casas, e os demais recorrem a amigos, abrigos ou hotéis. Apenas 0,30% não souberam informar onde se hospedariam ao chegar ao Brasil.
O ICE classifica os deportados em três grupos: pessoas com condenações criminais, indivíduos com acusações pendentes e os “violadores da imigração”, que estavam em situação irregular, mas sem histórico criminal. Entre outubro de 2020 e dezembro de 2024, quase 287 mil ordens de remoção foram emitidas, sendo 60% por infrações administrativas.
O levantamento evidencia o impacto direto das políticas migratórias norte-americanas sobre jovens brasileiros e a importância de programas de acolhimento que deem suporte ao retorno, destacando Estados como Minas, Rondônia e Pará no cenário nacional.
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