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Gaby Amarantos leva a força do “Rock Doido” para o Rio de Janeiro

Cantora paraense apresenta espetáculo grandioso no Queremos! Festival e reforça identidade que mistura tecnobrega, pop global e raízes do Norte do Brasil

25/05/2026 às 05h46
Por: Redação Fonte: O GLOBO
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A cantora paraense Gaby Amarantos durante apresentação da turnê “Rock Doido” no Vivo Rio, no Rio de Janeiro. | Divulgação
A cantora paraense Gaby Amarantos durante apresentação da turnê “Rock Doido” no Vivo Rio, no Rio de Janeiro. | Divulgação

A cantora paraense Gaby Amarantos subiu ao palco do Vivo Rio, no Aterro do Flamengo, e fez o que já virou marca registrada na sua carreira, a musa levou a energia do Pará para o centro da cena musical brasileira. Na noite de sábado (23), a estreia carioca da turnê “Rock Doido”, dentro do Queremos! Festival, transformou a casa de shows em uma grande pista conduzida pelo batidão amazônico.

Desde os primeiros minutos, o público reagiu ao impacto sonoro do projeto, que marca uma das fases mais ambiciosas da carreira da paraense. “É o maior em todos os aspectos, desde a dedicação pessoal aos investimentos e alcance. São mais de 300 pessoas envolvidas. É uma vitória colocar esse show no palco sendo artista independente”, afirmou Gaby.

O espetáculo é a extensão de um álbum que ampliou ainda mais a assinatura estética da cantora paraense. Lançado no ano passado, “Rock Doido” ganhou também um audiovisual de quase 25 minutos, gravado em plano-sequência e construído a partir de coreografias, pirotecnia e referências das tradicionais aparelhagens do Pará.

“Sabíamos que estávamos fazendo algo revolucionário, mas não imaginávamos esse impacto todo”, disse a artista, natural de Belém. “Sou fruto da pirataria, da gambiarra, do ‘vamos fazer com o que temos’. E hoje isso tudo voltou como reconhecimento.”

O projeto rapidamente ultrapassou o circuito musical e ganhou dimensão de fenômeno. No streaming, o single “Foguinho” já passou de 11 milhões de reproduções, enquanto o vídeo “Rock Doido (o filme)” se aproxima de 2 milhões de visualizações. O trabalho também rendeu o APCA 2026 de melhor disco e o título de Brega do Ano no Prêmio Multishow.

A repercussão chegou também ao mercado de produtos ligados à artista. Camisetas da marca paraense Pink Boto, inspiradas no álbum, esgotam a cada reposição. Para Gaby, o momento representa uma virada simbólica. “Ver isso tudo ganhar forma, virar produto e ser abraçado assim é muito forte. É uma validação importante do nosso trabalho.”

Enquanto cumpre agenda de shows pelo Brasil e se prepara para novas datas internacionais, a cantora vê o “Rock Doido” como uma vitrine da cultura amazônica para o mundo. “É um som global, mas com raiz. Sinto como uma música de exportação do nosso Pará.”

Mesmo com a projeção internacional, Gaby reforça que o projeto nasce profundamente ligado às referências do Norte. O disco mistura tecnobrega com influências do pop mundial, como Beyoncé e Michael Jackson, além de elementos de ritmos árabes e indianos, tudo reinterpretado sob sua estética amazônica.

“Pegamos essas referências todas e devolvemos com jambu, com rio, com Pará. Amazonizamos tudo antes de entregar”, explicou.

A trajetória da artista ajuda a explicar o tamanho do momento atual. Gaby ganhou projeção nacional com o álbum “Treme” (2012), impulsionado pelo hit “Xirley”, e desde então acumulou premiações como o Grammy Latino com “TecnoShow” (2023), além de participações em grandes eventos como o Global Citizen Amazônia.

No palco, toda essa bagagem se transforma em luzes, coreografias, pirotecnia e uma performance intensa que reflete a estética do tecnobrega paraense em sua forma mais expansiva.

VIDA PESSOAL

Aos 47 anos, a cantora também passou a rever hábitos ligados à saúde após um episódio durante um show, quando sentiu desconforto físico com um figurino mais pesado. “Ali percebi que precisava me cuidar melhor”, lembrou. Desde então, adotou rotina de exercícios e acompanhamento nutricional.

A mudança aconteceu no mesmo período do fim do casamento com o fotógrafo inglês Gareth Jones, em 2024. Gaby, porém, nega qualquer relação direta entre os dois fatos. “A separação foi uma decisão nossa. Continuamos amigos.”

Divulgação

Hoje, ela fala com naturalidade sobre a fase pessoal. “Eu tô solteira”, uma das mais populares do novo disco, “ninguém tá na geladeira”. “Larguei a mão do volante e estou deixando a vida seguir. Porém, tem sido muito bom aproveitar a paz trazida pela solitude”, reconhece, confidenciando como andam os “contatinhos”. “O que vier e me atrair é legal, mas não vou negar que os ‘novinhos’ estão entregando tudo. Quando são conscientes, têm o seu valor.”

Criada em uma família matriarcal no Pará, cercada por mulheres negras e ribeirinhas, Gaby diz que essa base segue guiando sua trajetória artística e pessoal.

“Aprendi desde cedo a entender quem eu sou, mesmo quando precisei me adaptar para outros espaços”, afirmou.

Mesmo com casas no Rio, São Paulo e Belém, a cantora mantém forte vínculo com o bairro do Jurunas, onde cresceu. É para lá que ela ainda retorna entre turnês e projetos internacionais. “Isso não muda. Eu continuo voltando para minhas raízes”, disse.

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