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Brasil USARÁ TORNOZELEIRA

Caso Djidja Cardoso: Mãe de ex-Sinhazinha vai ao regime semiaberto

Cleusimar Cardoso usará tornozeleira e recebeu festa de funcionários ao sair do cárcere.

30/09/2026 às 06h16
Por: Redação Fonte: Extra!
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Cleusimar é dona de uma rede de salões de beleza e mãe de Djidja Cardoso, ex-Sinhazinha do Boi Garantido encontrada morta em maio de 2024 por suspeita de overdose de cetamina. | Reprodução / Redes Sociais
Cleusimar é dona de uma rede de salões de beleza e mãe de Djidja Cardoso, ex-Sinhazinha do Boi Garantido encontrada morta em maio de 2024 por suspeita de overdose de cetamina. | Reprodução / Redes Sociais

Cleusimar Cardoso, condenada a 10 anos e 11 meses de prisão por tráfico de cetamina em Manaus, deixou o presídio nesta terça-feira (29), após obter o direito ao regime semiaberto. Ela passará a usar tornozeleira eletrônica.

Cleusimar é dona de uma rede de salões de beleza e mãe de Djidja Cardoso, ex-Sinhazinha do Boi Garantido encontrada morta em maio de 2024 por suspeita de overdose da droga.

Ao sair do presídio, Cleusimar foi recebida com festa por funcionários de um de seus estabelecimentos. Os empregados organizaram uma recepção com faixas, cartazes, fogos de artifício e um paredão de som.

"Liberdade! Esperamos muito por esse dia", disseram alguns presentes. Um dia antes da soltura, os próprios funcionários distribuíram flyers e convites para o evento.

Os salões da família, aliás, ainda utilizam a imagem de Djidja Cardoso para promover seus serviços, mesmo após a morte da ex-sinhazinha.

Decisões judiciais anteriores negaram a liberdade

Em dezembro de 2024, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça negou, por unanimidade, pedidos de habeas corpus de Cleusimar, de seu filho Ademar Farias Cardoso Neto e de Hatus Moraes Silveira.

O STJ entendeu que a manutenção das prisões era legal, mesmo após o Tribunal de Justiça do Amazonas anular as sentenças condenatórias por erro processual, laudos toxicológicos foram juntados ao processo sem que as defesas tivessem oportunidade de contestá-los.

O relator, ministro Sebastião Reis Júnior, destacou que a anulação da sentença não implica soltura automática. Portanto, os fundamentos da prisão preventiva permaneciam válidos, sobretudo diante da gravidade das condutas, do risco de reiteração criminosa e da necessidade de garantir a ordem pública.

O grupo religioso e o uso ritualístico da cetamina

Segundo a investigação da Polícia Civil do Amazonas, Cleusimar e Ademar criaram e lideraram um grupo chamado "Pai, Mãe, Vida", de cunho religioso e espiritual.

O grupo pregava uma suposta expansão da consciência pelo uso contínuo de cetamina, substância anestésica de uso humano e veterinário que causa alucinações e dependência.

Dentro da crença, Ademar era visto como a representação de Jesus Cristo, Cleusimar seria Maria e Djidja encarnava Maria Madalena.

Os rituais, de acordo com a polícia, ocorriam na residência da família e nos salões de beleza. Nos locais foram encontrados:

  • Ampolas de cetamina;
  • Dezenas de seringas e agulhas;
  • Aparelhos celulares, computadores e documentos.

Relatos de controle, violência e dependência

Depoimentos de ex-funcionários descrevem um ambiente de controle emocional, isolamento social e dependência química.

Uma ex-funcionária afirmou à polícia que Djidja sofria agressões da própria mãe, que a beliscava, torcia seus braços e a tratava com violência. Segundo o relato, a ex-sinhazinha estava debilitada e pedia para as agressões cessarem.

Familiares de Djidja chegaram a registrar boletins de ocorrência para tentar ajudá-la, mas afirmaram que eram impedidos de se aproximar.

Além disso, a investigação reuniu relatos de outras pessoas atraídas para o grupo, entre elas Verônica da Costa Seixas, gerente de um dos salões, que passou a seguir os ensinamentos e a se submeter a protocolos físicos e espirituais.

Investigações indicaram, ainda, que algumas vítimas foram submetidas a violência sexual e aborto.

Mudanças bruscas de comportamento, emagrecimento acelerado e episódios de confusão mental tornaram-se frequentes entre os integrantes, de acordo com os depoimentos.

A morte de Djidja e a Operação Mandrágora

Djidja Cardoso, nascida em 3 de fevereiro de 1992, foi encontrada morta em sua casa em Manaus no dia 28 de maio de 2024, aos 32 anos.

A principal linha de investigação aponta overdose de cetamina como causa da morte.

Vídeos gravados pelo ex-namorado Bruno Roberto registraram as últimas horas de vida da ex-sinhazinha, em que ela aparece com um frasco da substância e afirma que vai se aplicar.

Dois dias após a morte, a Polícia Civil deflagrou a Operação Mandrágora e prendeu Cleusimar, Ademar e outros integrantes do grupo.

Ao longo das investigações, também foram presos o ex-namorado Bruno Roberto, o personal trainer Hatus Silveira e donos de clínicas veterinárias suspeitos de fornecer a droga.

Três réus foram absolvidos por insuficiência de provas. O processo continua em tramitação na Justiça do Amazonas, onde questões sobre nulidades na cadeia de custódia das provas ainda poderão ser analisadas.

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