
Durante o Novembro Azul, campanha dedicada à conscientização sobre a saúde masculina e à prevenção do câncer de próstata, a atenção também se volta para os fatores que podem estar ligados ao surgimento da doença. Embora não exista um alimento capaz de prevenir, por si só, o desenvolvimento do câncer, estudos científicos apontam associações entre determinados hábitos alimentares, o excesso de peso e o risco de aparecimento de tumores.
No Brasil, o câncer de próstata é um dos principais desafios de saúde pública entre os homens. De acordo com dados do Ministério da Saúde, divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), aproximadamente 18,5 mil brasileiros morreram em decorrência da doença em 2025, uma média de 50 mortes por dia. Segundo a autoridade de saúde, o número representa um aumento de 20% em relação aos registros de dez anos atrás, quando foram contabilizados 15,4 mil óbitos.
Diante desse cenário, a campanha Novembro Azul reforça a importância da prevenção, da atenção aos fatores de risco e, principalmente, da identificação precoce da doença. De acordo com a comunidade médica, uma alimentação equilibrada, aliada a prática regular de atividades físicas e ao controle do peso estão entre os pilares dos cuidados com a saúde e podem contribuir para reduzir fatores associados ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer.
A obesidade é apontada como um dos fatores que merecem atenção quando o assunto é prevenção do câncer. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 13 em cada 100 casos da doença no Brasil estão associados ao sobrepeso e à obesidade. Além do excesso de peso, a qualidade da alimentação também interfere na saúde do organismo.
Segundo os médicos, o consumo frequente de produtos ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos, embutidos, macarrão instantâneo, molhos e temperos industrializados, podem favorecer a obesidade e, consequentemente, o desenvolvimento da doença. Além disso, de acordo com eles, o problema não se restringe às pessoas com predisposição genética ao ganho de peso, já que mesmo quem está dentro da faixa considerada adequada pode manter hábitos alimentares prejudiciais à saúde.
Por isso, a orientação dos especialistas é reduzir a presença desses produtos na rotina e priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes e cereais integrais.
Além dos ultraprocessados, estudos científicos recentes também investigam a relação entre o consumo de determinados alimentos e bebidas e o desenvolvimento do câncer de próstata. Uma pesquisa publicada no periódico American Journal of Clinical Nutrition, por exemplo, identificou uma associação entre o consumo diário de 330 mililitros de refrigerante, quantidade próxima à de uma lata, e um aumento de 40% no risco de desenvolver formas agressivas da doença.
Já outro estudo publicado na revista Carcinogenesis apontou que homens que consumiam mais de 1,5 porção semanal de carne vermelha frita apresentavam risco 30% maior de desenvolver câncer de próstata, e aqueles que o consumo era superior a 2,5 porções de carne preparada em altas temperaturas foi associado a um aumento de 40% no risco.
O consumo de bebidas alcoólicas também merece atenção. Um estudo norte-americano que acompanhou 47.843 homens durante 12 anos identificou maior risco de câncer de próstata entre aqueles que ingeriam grandes quantidades de álcool em poucos dias da semana. Entre os participantes que consumiam mais de 105 gramas de álcool semanalmente, concentrados em apenas um ou dois dias, foi registrado um aumento de 64% no risco de desenvolver a doença.
Entretanto, vale ressaltar que, embora os resultados apontem associações entre determinados hábitos alimentares e o câncer de próstata, isso não significa que o consumo isolado desses produtos necessariamente provoque o surgimento de tumores. Ainda assim, os estudos reforçam a importância de evitar excessos e manter uma alimentação equilibrada.
Além da alimentação, o Novembro Azul reforça a importância do acompanhamento médico para identificar precocemente o câncer de próstata. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), quando diagnosticado precocemente, o tumor tem aproximadamente 90% de chances de cura.
Segundo os médicos especialistas, entre as manifestações da doença estão sangue na urina ou no sêmen, aumento da frequência urinária, jato de urina fraco ou interrompido, dificuldade para urinar, disfunção erétil e dores nos ossos. Contudo, como esses sinais geralmente aparecem em estágios mais avançados, esperar pelo surgimento deles pode atrasar o diagnóstico.
De acordo com as autoridades de saúde brasileira, a investigação da doença pode envolver dois exames: a dosagem do PSA (antígeno prostático específico), realizada por meio de uma amostra de sangue, e o toque retal, que permite avaliar o tamanho, a forma e a textura da próstata. Caso sejam identificadas alterações suspeitas, pode ser indicada uma biópsia para confirmar o diagnóstico.
A orientação da SBU é que homens a partir dos 50 anos procurem um urologista para uma avaliação individualizada. Entretanto, para aqueles com histórico familiar de câncer de próstata, homens negros e pessoas com obesidade, a recomendação é iniciar essa avaliação aos 45 anos.
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