
A morte de uma criança de 11 anos após dias de internação mobiliza autoridades e amplia o mistério em torno de um caso investigado como possível envenenamento. O menino Arthur de Mello da Silva faleceu na noite da última quinta-feira (12), depois de permanecer hospitalizado desde o início do mês, quando apresentou um grave quadro de saúde que teria começado após consumir um alimento levado para casa.
O caso passou a ser apurado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, que busca esclarecer as circunstâncias que antecederam a morte da criança. Nesta sexta-feira (13), investigadores ouviram pessoas próximas ao menino, incluindo pai, mãe, padrasto e madrasta, numa tentativa de reconstituir os fatos e identificar a origem das substâncias encontradas em seu organismo.
Os exames toxicológicos realizados pelo Instituto Médico-Legal detectaram a presença de diferentes compostos, entre eles lidocaína, utilizada como anestésico local, midazolam, medicamento com efeito sedativo, e terbufós-sulfóxido, substância associada ao chamado chumbinho, produto frequentemente relacionado a casos de intoxicação.
Segundo informações divulgadas pela Secretaria Estadual de Saúde, Arthur estava internado desde o dia 1º. O órgão manifestou pesar pela morte e solidariedade aos familiares.
De acordo com relatos apresentados à polícia, o menino vivia com o pai e a madrasta desde março deste ano, mas mantinha contato frequente com a mãe. No fim de semana anterior ao episódio, ele teria passado alguns dias na residência materna antes de retornar à casa do pai.
Imagens de câmeras de segurança analisadas pela investigação registraram a chegada do garoto ao imóvel onde morava por volta do início da noite. Pouco tempo depois, um alimento encontrado entre os pertences da criança passou a chamar a atenção dos familiares.
Conforme as informações prestadas à polícia, Arthur teria consumido um pedaço de bolo de chocolate que estava guardado na mochila. Mais tarde, a família realizou uma refeição normalmente e os demais moradores ingeriram os mesmos alimentos servidos no jantar.
Ainda naquela noite, o menino começou a apresentar sintomas graves, incluindo vômitos, diarreia e alterações de comportamento. Diante da piora do quadro, ele foi levado para atendimento médico e posteriormente transferido para uma unidade de maior complexidade, onde permaneceu internado até sua morte.
A suspeita envolvendo o bolo surgiu durante as conversas entre familiares, quando surgiram dúvidas sobre a origem do alimento. A partir daí, investigadores passaram a concentrar esforços para entender como as substâncias identificadas nos exames chegaram ao organismo da criança.
A Polícia Civil aguarda a conclusão de laudos complementares e a análise de outras provas para definir os próximos passos da investigação. Até o momento, não houve divulgação de indiciamentos relacionados ao caso.
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