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Golpes com uso de dados pessoais já atingiram milhões de brasileiros, diz pesquisa

Uma pesquisa revelou que 45 milhões de brasileiros já enfrentaram golpes com dados pessoais.

01/09/2026 às 05h39
Por: Redação Fonte: Olhar Digital
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Os dados fazem parte de uma pesquisa sobre Privacidade e proteção de dados pessoais na internet. | (Freepik)
Os dados fazem parte de uma pesquisa sobre Privacidade e proteção de dados pessoais na internet. | (Freepik)

Cerca de 45 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais, o equivalente a 32% dos usuários de internet no país, afirmam já ter enfrentado alguma tentativa de golpe envolvendo o uso de dados pessoais.

Os números fazem parte da terceira edição da pesquisa Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

O levantamento mostra ainda que aproximadamente 27,5 milhões de brasileiros, ou 20% dos usuários de internet nessa faixa etária, afirmam ter sido efetivamente vítimas desse tipo de fraude. A pesquisa diferencia as pessoas que apenas receberam uma tentativa de golpe daquelas que tiveram algum prejuízo ou foram de fato enganadas pelos criminosos.

Segundo Winston Oyadomari, um dos coordenadores do estudo, os golpes podem utilizar informações pessoais para tornar as abordagens mais convincentes, mas isso não significa necessariamente que cada fraude seja criada especificamente para uma determinada vítima.

Uma mensagem que utiliza, por exemplo, um número de telefone falso e se apresenta como uma instituição financeira pode ser interpretada pelo usuário como uma tentativa de uso indevido de seus dados. Em muitos casos, porém, trata-se de um disparo em massa direcionado a milhares de pessoas.

Aplicativos de mensagem lideram tentativas de golpe

Os aplicativos de mensagem são o principal canal utilizado nas tentativas de golpes envolvendo dados pessoais. Entre os entrevistados que relataram ter sido alvo dessas abordagens, 84% citaram esse meio.

As ligações telefônicas aparecem em segundo lugar, mencionadas por 79% dos entrevistados. Na sequência estão sites ou aplicativos falsos e mensagens SMS, ambos com 71%. Os e-mails foram citados por 69% e as redes sociais, por 67%.

Os principais canais apontados pela pesquisa foram:

  • Aplicativos de mensagem: 84%;
  • Ligações telefônicas: 79%;
  • Sites ou aplicativos falsos: 71%;
  • SMS: 71%;
  • E-mail: 69%;
  • Redes sociais: 67%.

Para Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, a variedade de meios utilizados demonstra que os golpes relacionados a dados pessoais não se restringem às perdas financeiras. O cenário também reforça a importância de medidas de prevenção, conscientização e proteção das informações dos usuários.

Uso de inteligência artificial aumenta exposição de dados

A terceira edição da pesquisa analisou, pela primeira vez, a relação entre privacidade e o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa.

Os dados indicam que os brasileiros estão compartilhando uma quantidade significativa de informações pessoais e sensíveis com sistemas de IA, mesmo diante das preocupações sobre a maneira como essas plataformas tratam os dados fornecidos pelos usuários.

Entre as pessoas que utilizam ferramentas de IA generativa, 37% afirmam compartilhar dados pessoais, como nome, endereço, data de nascimento ou CPF.

Outras informações também são frequentemente inseridas nas plataformas:

  • 41% compartilham informações sobre finanças pessoais, como orçamentos e investimentos;
  • 50% enviam fotos próprias ou de pessoas conhecidas;
  • 52% fornecem informações relacionadas à saúde, incluindo sintomas e exames;
  • 54% relatam sentimentos e emoções;
  • 58% compartilham preferências e gostos pessoais, como filmes e músicas;
  • 73% utilizam as ferramentas para assuntos relacionados a trabalho ou estudo.

O uso da inteligência artificial para falar sobre sentimentos e emoções chama atenção: mais da metade dos usuários entrevistados afirma recorrer às plataformas para esse tipo de interação. Ainda assim, questões profissionais e acadêmicas são, de longe, a finalidade mais mencionada.

Apesar da ampla utilização, existe preocupação com o tratamento dessas informações. Segundo a pesquisa, 66% dos usuários de IA generativa estão preocupados ou muito preocupados com a forma como as empresas responsáveis pelas ferramentas utilizam seus dados pessoais.

Outros 22% afirmam estar pouco preocupados, enquanto 11% dizem não ter preocupação com o tema.

Cai adesão a práticas de proteção da privacidade

O levantamento também identificou uma redução na adoção de algumas medidas de proteção de dados entre 2021 e 2025.

A parcela de usuários que afirma ler as políticas de privacidade de sites e aplicativos caiu de 68% para 65% no período. Já a verificação da segurança de páginas e aplicativos, como a presença do cadeado no navegador, passou de 70% para 63%.

Também houve queda entre os brasileiros que recusam a utilização de seus dados pessoais para publicidade personalizada. O índice passou de 69% para 67%.

A restrição do acesso à localização geográfica por meio de GPS ou recursos semelhantes caiu de 62% para 57%. A limitação do acesso ao perfil em redes sociais também recuou, de 64% para 60%.

Já a parcela de pessoas que solicitam a exclusão de informações armazenadas por sites, aplicativos ou buscadores passou de 42% para 40%.

Entre as práticas analisadas, apenas uma apresentou crescimento: a configuração ou limitação do uso de cookies nas páginas visitadas, que passou de 58% em 2021 para 59% em 2025.

Os resultados mostram um cenário de maior exposição dos brasileiros a golpes envolvendo informações pessoais ao mesmo tempo em que práticas de proteção da privacidade perdem espaço. O avanço da inteligência artificial generativa acrescenta um novo desafio, já que os próprios usuários estão fornecendo às plataformas dados cada vez mais variados, incluindo informações financeiras, profissionais, de saúde e sobre a vida pessoal.

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