
Com o aumento alarmante de casos de intoxicação por metanol em São Paulo — 22 casos registrados e 5 mortes sob investigação —, saber identificar bebidas adulteradas e reconhecer os sinais de envenenamento tornou-se uma questão de segurança pública.
Especialistas alertam que a detecção precoce pode ser a diferença entre a vida e a morte. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) divulgaram orientações essenciais para a população identificar bebidas potencialmente perigosas antes do consumo.
É importante estar atento, antes de tudo, aos sinais visuais na embalagem, tais como:
O metanol é extremamente perigoso porque seus primeiros sintomas podem ser confundidos com uma embriaguez comum. No entanto, reconhecer os sinais específicos de intoxicação pode salvar vidas.
Nas primeiras horas após a ingestão, os sintomas podem parecer uma embriaguez normal:
Atenção! Nesta fase, muitas pessoas não percebem que há algo errado. Se você consumiu bebida em local suspeito e apresenta esses sintomas de forma anormal, procure ajuda médica.
O verdadeiro perigo acontece horas depois, quando o corpo começa a metabolizar o metanol no fígado, gerando toxinas letais. entre eles, problemas de visão já são um sinal crítico:
Além disso, é preciso atenção aos seguintes sintomas neurológicos:
Já os sintomas físicos graves são:
Também é possível a presença de problemas renais como:
Vítimas dos casos recentes em São Paulo relataram experiências alarmantes. Uma pessoa contou ao programa Fantástico ter perdido completamente a visão após consumir apenas três caipirinhas em um bar da capital.
Outros pacientes reportaram combinações de sintomas incluindo perda de visão, convulsões, problemas renais e AVCs — todos associados ao consumo de diferentes tipos de bebidas destiladas como gim, uísque e vodca.
O metanol é um produto químico industrial usado em anticongelantes e limpadores de para-brisa. Não é destinado ao consumo humano e é altamente tóxico. O grande perigo é que ele tem aparência e sabor muito semelhantes ao álcool etílico (o álcool das bebidas).
Quando ingerido, o metanol é metabolizado pelo fígado, gerando três substâncias extremamente tóxicas:
Estas toxinas se acumulam no corpo e atacam diretamente:
Segundo Christopher Morris, professor da Universidade de Newcastle no Reino Unido, "o cérebro parece ser muito vulnerável" aos efeitos do formiato, e "os olhos também são diretamente afetados, o que pode causar cegueira".
Pequenas quantidades de metanol podem ser letais. A toxicidade varia conforme o peso corporal da pessoa — quanto menor o peso, maior o risco. Algumas doses de bebida contaminada podem ser suficientes para causar intoxicação grave ou morte.
O tratamento hospitalar pode incluir:
Knut Erik Hovda, médico da organização Médicos Sem Fronteiras, enfatiza: "Você pode aliviar todos os efeitos se chegar ao hospital cedo o suficiente. O antídoto mais importante é o álcool comum, mas deve ser administrado sob supervisão médica".
O estado de São Paulo registrou até o momento 22 casos suspeitos de contaminação por metanol, com 5 mortes sob investigação. A Polícia Federal e a Polícia Civil investigam a origem das bebidas adulteradas.
Nos últimos dias, foram apreendidas 50 mil garrafas com suspeita de adulteração. Dois bares na capital — o Ministrão, nos Jardins, e o Torres, na Mooca — foram fechados pela Vigilância Sanitária após vítimas terem consumido bebidas contaminadas nesses locais.
Uma operação em Americana, no interior paulista, resultou na prisão de dois suspeitos de falsificação e adulteração de bebidas. As autoridades investigam se a rede de distribuição atua em outros estados além de São Paulo.
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