
Uma mulher que trabalhou como empregada doméstica para o filho da influenciadora Deolane Bezerra relata um calvário de ameaças e intimidações, dias após a prisão da advogada.
O caso revela supostas conexões entre a família da advogada e o crime organizado, conforme áudios apresentados à Justiça. Denise Rosane Bastos trabalhou como doméstica no apartamento de Kayky Bezerra, filho de Deolane Bezerra, no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo.
Em novembro de 2025, ela foi acusada de roubar R$ 80 mil em dinheiro vivo do imóvel. A partir daí, sua vida mudou por completo. Primeiro, a própria Deolane a procurou e exigiu a devolução do valor.
Depois, homens que se identificaram como integrantes do crime organizado foram até Denise para cobrar o mesmo dinheiro.
Contudo, eles revelaram algo ainda mais grave: afirmaram que os R$ 80 mil não pertenciam à família Bezerra, mas eram recursos do crime destinados à lavagem de dinheiro.
Denise apresentou à Justiça áudios que comprovam as intimidações que sofreu. Em um deles, um homem identificado apenas como "John" deixa o recado de forma direta:
Além das palavras, "John" citou nos áudios o endereço de Denise e o de familiares dela. Isso demonstra que os intimidadores tinham acesso a informações pessoais da mulher.
Em outro trecho, ele acrescenta: "Se você meter o louco em nós, vai ser poucas ideias."
As ameaças não ficaram restritas aos áudios. Segundo Denise, homens invadiram seu apartamento na Vila Maria, zona norte de São Paulo, e vasculharam o imóvel. Além disso, eles acessaram as mensagens do celular dela sem autorização.
O grupo também foi até Ribeirão Preto, cidade onde Denise mora, porém ela não se encontrava no local no momento da visita. Ela mantém o apartamento paulistano apenas para se hospedar durante as diárias de trabalho na capital.
O caso chegou à Justiça em março de 2026, quando Denise, representada pelo advogado Hugo Amorim, apresentou uma queixa-crime contra Deolane Bezerra.
O objetivo declarado da ação é, segundo o próprio advogado, "limpar o nome e a índole" de sua cliente. Porém, Deolane ainda não foi intimada para se defender.
Isso acontece porque o processo está travado em uma discussão judicial sobre qual comarca tem competência para julgá-lo.
As consequências do episódio foram severas para a trabalhadora. Ela perdeu a capacidade de encontrar emprego como doméstica em São Paulo.
Por isso, retornou a Ribeirão Preto, onde faz diárias e trabalha no estabelecimento comercial do pai. Em entrevista, Denise resumiu:
"Antes, queria que ela me pedisse desculpas. Hoje, não aceito mais desculpas", declarou Denise.
O contexto do caso ganhou novos contornos com a prisão de Deolane Bezerra, ocorrida na última quinta-feira (22).
A operação foi conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo e teve como alvo um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC.
Os delegados responsáveis pelo inquérito afirmam que Deolane abriu 35 empresas nos últimos anos. Segundo eles, essas empresas faziam parte de um vasto esquema de lavagem de recursos do crime organizado.
Além da prisão, a Justiça autorizou a apreensão de bens da advogada, entre eles quatro veículos de luxo avaliados em mais de R$ 5 milhões.
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