
A proposta prevê o planejamento integrado de ações e políticas públicas, a definição das responsabilidades de cada instituição e o estabelecimento de fluxos de atendimento. Na prática, esses fluxos devem orientar como as demandas das pessoas idosas serão recebidas e encaminhadas entre os serviços, facilitando a articulação entre os órgãos envolvidos.
Esse planejamento foi discutido durante reunião realizada hoje, 27, pela Prefeitura de Canaã dos Carajás, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes) e em parceria com o Conselho Municipal da Pessoa Idosa (CMDPI). O encontro contou com a participação de representantes de órgãos públicos e de organizações da sociedade civil para iniciar a formalização da rede municipal de defesa dos direitos humanos das pessoas idosas. A iniciativa buscou organizar a atuação conjunta das instituições que atendem esse público, fortalecendo a proteção, a defesa e a promoção de direitos.
Para a presidente do CMDPI, Mary Marques, a integração entre as instituições pode contribuir para melhorar o atendimento. “Quando nós estamos atuando de forma conjunta, de forma articulada e integrada, nós temos uma grande possibilidade de ter resultados muito mais efetivos”, afirmou.
Segundo Mary, a mobilização segue orientações dos Conselhos Nacional e Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa para que os municípios instituam e formalizem suas redes. A reunião representa uma etapa inicial desse processo em Canaã dos Carajás, com a participação de representantes dos serviços públicos e das organizações da sociedade civil que atuam com a população idosa.
O primeiro encaminhamento previsto é a formalização da rede por meio de uma resolução do conselho municipal. Na sequência, deverão avançar os procedimentos para sua instituição administrativa, com a organização das atribuições e das formas de atuação conjunta.
Além de articular o atendimento, a rede pretende promover ações preventivas e fortalecer as políticas públicas destinadas à população idosa. A proposta também considera a participação das próprias pessoas idosas na construção dessas ações, em conjunto com o poder público e a sociedade civil.
Corina Lopes, moradora do bairro Morada do Sol e integrante do conselho de idosos da Associação Afamoprocan, participou do evento. Ela destacou a importância da união para ajudar e proteger as pessoas idosas. Ao manifestar sua disposição para contribuir com esse trabalho, ressaltou o desejo de participar da busca por melhorias. “Tenho disponibilidade para lutar e ver acontecer coisas melhores para nós.”, afirmou.
O coordenador das políticas de equidade do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) em Canaã dos Carajás, Marcos Wilke, informou que o município está implantando o Programa de Atendimento Domiciliar (PAD) à pessoa idosa, que, segundo ele, é uma iniciativa do governo federal. O serviço é voltado a pessoas idosas com restrição de locomoção que não conseguem se deslocar até uma unidade básica de saúde e prevê atendimentos nas residências por equipes multiprofissionais, incluindo psicólogos e nutricionistas.
Segundo Wilke, mais de 80 pessoas já foram identificadas com perfil para receber o atendimento e terão prioridade nesta etapa inicial. “Nós vamos atender primeiro esses 80 idosos que temos em fila, para depois fazer a busca ativa no restante da comunidade.”, explicou.
O psicólogo Ayrk Zamiske, do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), destacou que o encontro discutiu práticas inovadoras e estimular uma reflexão crítica sobre a atuação do poder público e da sociedade civil no atendimento às pessoas idosas de Canaã dos Carajás. “Envelhecer é natural, mas o jeito que a gente trabalha, o jeito que a gente acolhe esse envelhecimento depende da gente.”, afirmou.
Durante a programação, a assistente social Edna Dias, do Creas, abordou o tema “Envelhecer com Dignidade: Direitos, Autonomia e Cidadania”. A profissional destacou que o envelhecimento é uma conquista da humanidade e não deve ser visto como um problema ou um fardo para a sociedade.
Segundo ela, compreender esse processo exige reconhecer a diversidade das experiências de envelhecer. Para enfrentar os desafios relacionados ao envelhecimento, é necessário considerar as diferentes formas de vivenciar a velhice, com atenção às particularidades de cada pessoa idosa.
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